Luiz Tadeu Vilani é repórter fotográfico e trabalha no jornal Zero Hora


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“Fotografia de Guarani – Nosso Povo Esquecido”
de Luiz Tadeu Vilani


Mais de 500 anos após a chegada dos portugueses à costa brasileira, nossos primeiros habitantes são considerados marginais pela sociedade. O povo indígena ainda luta pelo reconhecimento e garantia de suas terras. Outro objetivo deste povo é a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas e para alcançá-lo eles contam com a ajuda da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – que os escolheram como tema da campanha da fraternidade 2002.

Esta nação esquecida e marginalizada está sendo retratada pelo fotógrafo Tadeu Vilani em uma trilogia de exposições fotográficas. A primeira saiu em 1999 e foi só sobre índios Guaranis. Este ano* saiu a segunda, que recebeu o nome de "Guaranis e Caingang – nossos povos esquecidos". Ela está sendo preparada desde 1996. Para fazer estas fotos, Vilani percorreu cidades do Rio Grande do Sul, como Iraí, Ijuí, Porto Alegre e cidades da Argentina. Natural de Santo Ângelo, que se localiza perto das reservas, ele pôde voltar para casa todos os dias. O problema é quando faz viagens mais longas.

Como não recebe nenhum tipo de apoio financeiro para suas andanças, Vilani vai de carro e dorme dentro dele. Dessa forma passa dias dentro da aldeia. Neste tempo, procura se adaptar o máximo possível ao estilo de vida indígena. Come o mesmo que ele, joga futebol, toma banho de rio, enfim, adere aos seus costumes.

O fotógrafo conta que geralmente é bem recebido nas tribos. Mas, quando foi para as reservas da Argentina, levou um guia, o índio guarani Floriano. Vilani afirma que "a vida do índio é difícil somente aos nossos olhos, pois estamos acostumados com roupas, sapatos, casa, carro, eles não têm noção do nosso conforto."

A terceira exposição desta trilogia vai retratar os índios guaranis que habitam as Missões Jesuíticas e deve ficar pronta em 2004. Para fazê-la ele pretende ir ao Paraguai e novamente para a Argentina, para isso contará mais uma vez com a ajuda do amigo Floriano, que é paraguaio. Nesta viagem também quer retratar as ruínas, suas esculturas a arquitetura.

Segundo Vilani, os guaranis possuem a peculiaridade de falar três línguas – guarani, português e espanhol. Isso se deve ao fato de eles estarem sempre andando entre o Brasil e Argentina, o que acaba facilitando o contato. Mas salienta que o mesmo não ocorre com os índios do litoral argentino.

Tadeu Vilani é repórter fotográfico e atualmente está trabalhando no jornal Zero Hora. Iniciou seus estudos de fotografia há oito anos e neste período já produziu cinco exposições. A primeira, em 1994, tinha como título "Arquitetura Missioneira". Nos anos seguintes vieram Arquitetura e Cotidiano de Porto Alegre, em 1995, Aspectos Urbanos de Buenos Aires, 1996, Mulheres Rurais, 1999 e Índios Guaranis, também em 1999.

Como todo profissional, ele também tem um modelo a ser seguido. "Todo mundo tem uma inspiração. Sempre tem alguém que já começou o caminho escolhido e que acaba sendo tomado por base. O meu é Sebastião Salgado". Pode-se perceber esta influência na busca de expressões fortes e a preferência pelo filme preto e branco. Mas o fotógrafo ressalta que não se pode esquecer o próprio estilo.

Este ano*, Vilani começou a trabalhar em outra exposição que irá se chamar Nonos e nonas italianas, que irá mostrar a presença do imigrante italiano no Estado.

*Publicado em 28/04/2002

Gabriela Lisbôa - Jornalista
Passo Fundo - RS



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