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Apólogo das árvores
Eis um
interessantíssimo apólogo, a merecer nossa melhor reflexão:
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"Certa vez, as árvores deliberaram escolher um rei.
Uniram suas vozes e disseram à oliveira: Reina sobre nós.
A oliveira respondeu: Deixarei, porventura, a minha gordura,
que se usa para honrar aos deuses e aos homens, para reinar sobre
árvores?
Voltaram-se, as árvores, para a figueira e lhe disseram:
Vem, então, tu, e reina sobre nós.
Mas a figueira respondeu: Deixarei, porventura, a minha doçura
e demais qualidades que possuo, para reinar sobre árvores?
Em vista da recusa, as árvores se congregaram em torno da
videira
e disseram-lhe: Vem, tu, e reina sobre nós.
A videira também se escusou, dizendo:
Hei de deixar o meu suco que alegra aos deuses
e aos homens, para dominar sobre árvores?
Então as árvores voltaram-se para o espinheiro e lhe disseram:
Vem tu e reina sobre nós.
Ao que o espinheiro respondeu:
Se vós, na verdade, me ungis vosso rei,
vinde e refugiai-vos debaixo da minha sombra;
mas, se não, do espinheiro sairá fogo que devorará até os
cedros do mundo."

Não é
necessário muito esforço interpretativo para fazer valer a
permanente lição contida na questão 932
de "O
Livro dos Espíritos", em que os
Benfeitores da Humanidade dizem-nos do porquê dos maus
sobrepujarem,
tão
freqüentemente, a influência dos bons:
"Pela
fraqueza dos bons; os maus são ousados e intrigantes, os bons
são tímidos. Quando estes o quiserem, dominarão."
NOTA: O apólogo constou inicialmente de tradução livre transcrita no livro "Parábolas e Ensinos de Jesus", de Cairbar Schutel.
Dizem que, tempos antes do Cristianismo, em grande bosque, três jovens árvores pediram a Deus destinos gloriosos e diferentes.
A primeira queria ser empregada no trono do maior soberano da Terra.
A segunda ambicionava servir na construção do carro que transportasse os tesouros desse poderoso soberano.
A terceira almejava se transformar numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do céu.
Mensageiro de Deus desceu à mata informando que as petições seriam atendidas.
Decorrido certo tempo, lenhadores reduzem as três árvores a simples troncos.
Mas, mesmo assim despidas, arrancados os seus braços, retiradas de seu ambiente, elas permaneciam confiantes na promessa do Senhor, deixando-se conduzir com paciência e humildade.
Depois de muitas viagens, a aflitiva surpresa!
A primeira caiu sob o poder de um criador de animais que mandou convertê-la num grande cocho, destinado à alimentação de carneiros.
A segunda foi adquirida por velho praiano que construía barcos.
A terceira foi comprada e guardada, para servir oportunamente numa cela de malfeitores.
Mesmo separadas e sofredoras, as árvores amigas não deixaram de acreditar no Pai eterno, e a tudo obedeciam resignadas.
No bosque, todavia, outras plantas perderam a fé na oração, quando souberam do acontecido com as três árvores.
Transcorridos os anos, a primeira árvore, forrada de singelos panos, recebeu Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao mais alto Dirigente do Mundo.
A segunda, trabalhando com pescadores, na forma de barca valente e pobre, foi veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus ensinos.
A terceira, por fim, convertida apressadamente numa cruz, seguiu com o Mestre para o monte, onde fincada, ereta e valorosa, sente o Seu coração repleto de amor, mesmo que torturado, indicando o verdadeiro caminho do reino do céus.

Todos nós podemos endereçar às estações receptoras do Mundo Espiritual, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces.
Humberto de Campos, sob o pseudônimo de Irmão X, comentando essa antiga lenda (1), fala-nos da necessidade de paciência e de resignação para se esperar e compreender as respostas de Deus aos pedidos feitos.
A seleção dos pedidos deve ser bem interessante, se tomarmos por exemplo o trabalho das agências coletoras e distribuidoras de correspondência das cidades terrenas.
Cartas mal endereçadas...
Endereços incompletos...
Letras ininteligíveis...
As correspondências entre os homens, por regra, devem ser indevassáveis, o que impede a verificação de seu conteúdo.
As preces, todavia, não são envelopadas...
O seu teor é de pronta verificação.
Em vista disso, ainda quando mal dirigida ou mal formulada, ganhará destino, porque é reencaminhada para quem possa atendê-la. É a prece refratada, revelada por André Luiz.(2)
Em matéria de oração, tem gente que a faz muito e para qualquer coisa, crente no atendimento, porque leu a anotação de Marcos: "o que quer que seja que pedirdes na prece, crede que o obtereis, e vos será concedido".(3)
A interpretação literal leva a conclusões incríveis, em que não se cogita de mérito nem de utilidade.
O argentário pede dinheiro, fortuna em jogo de sorte, pensando que os emissários do Senhor, para atendê-lo, já que pediu com fé, têm de interferir nos mecanismos dos sorteios.
Os solitários têm a convicção de que os mensageiros de Deus também fazem o papel de agentes de encontros, acreditando em anjo-da-guarda transformado em cupido.
E assim vai a nossa ignorância...
No entanto, se refletirmos um pouco, ficará muito claro que não importa a extensão do pedido, o que vale é o mérito e a utilidade do mesmo para o pedinte.
A sabedoria de um pai não recusa a um filho o presente que lhe pode prejudicar?
O médico vai deixar de receitar remédio só porque é amargo? Ou de indicar a cirurgia, por causa do sofrimento pós-operatório?
Deus é mais do que médico e pai e, com certeza, sempre sabe o que é melhor para nós.
Desta forma, se nos for mais conveniente a doença do que a saúde, o atendimento ao nosso pedir se fará em forma de ânimo e coragem para enfrentar a vicissitude com resignação.
Aquele que ora nunca perde, sempre ganha algo que precisa.
Mas há um só caso de prece recusada, conforme nosso conhecimento:
"A do orgulhoso que tem fé em seu poder e em seus méritos, e crê poder se substituir à vontade do Eterno."(4)
NOTAS:
(1) Adaptação feita da
narração do Irmão X, contida no livro Cartas e Crônicas, FEB,
3a. ed., Rio, 1974, p. 12-15.
(2) Entre o Céu e a Terra,
FEB, 14a. ed., Rio, 1992, p. 14.
(3) Marcos, 11:24.
(4) O Evangelho Segundo o
Espiritismo, IDE, 210a. ed., Araras/SP, 1997, capítulo XXVII,
item 14, p. 309.
O turista que andava despreocupado, teve sua atenção chamada para os movimentos de um vulto que lhe parecia estar dançando na praia.
Ao aproximar-se, verificou que o bailado era um conjunto de movimentos que um garoto fazia para abaixar-se, pegar estrelas-do-mar e atirá-las de volta ao oceano.
Curioso, perguntou ao jovem:
- O que fazes, meu rapaz?
- Jogo estrelas de volta ao mar.. - foi a resposta.
- Talvez devesse ter perguntado por que o fazes... - continuou com ar de galhofa.
- É que o sol está forte e a maré baixando, se não as salvar elas morrerão ressecadas.
- Que ingenuidade! Você não vê que nesses quilômetros e quilômetros de praias há milhares e milhares de estrelas?!
O jovem mais uma vez abaixou-se, pegou uma estrelinha e cuidadosamente a atirou de volta ao mar, prosseguindo o que vinha fazendo. Logo depois, voltou-se para o turista e disse:
- Para essa aí fez diferença...
Na manhã seguinte, dois vultos podiam ser observados como que dançando na praia, um jovem e um adulto, cada um compenetrado em fazer a diferença para as estrelas devolvidas ao oceano.

Há uma luta permanente dos mais conscientes em prol da ecologia e da sobrevivência de espécies ameaçadas.
Certamente, todos os que pensamos e agimos como o salvador de estrelas, no íntimo, estamos dando vazão àquele sentimento que um confrade alhures definiu como "reflexo do egoísmo inteligente".
- Mas como egoísmo inteligente?
A explicação é simples, dentro da visão espírita: se somos Espíritos em progressão, através das vidas sucessivas, quando agimos no presente para preservar a natureza, estamos preparando o ambiente das nossas futuras reencarnações.
Assim, a poluição que provocamos será a que encontraremos.
A degradação do agora será a do futuro, com certeza aumentada.
- Desta maneira, não é "egoísmo inteligente" querermos o melhor para nós?
Um outro questionamento é preciso fazer:
- No que o jovem catador de estrelas mostra-se diferente dos outros?
É especial a consciência de seu papel no mundo, onde importa ser responsável, fazer o que estiver ao alcance, com o objetivo de torná-lo melhor e mais feliz.
Vale o chavão da mídia:
- Não basta estar, é preciso participar!
Em complemento, o que verdadeiramente o jovem das estrelas-do-mar tem de diferente é a opção de não desejar ser mero observador do universo, mas de agir nele, modificá-lo de alguma forma.
Quantos passamos pela vida a sonhar, porque visão sem ação é sonho, enquanto que ação sem visão é passatempo!
Uma coisa é indiscutivelmente certa:
- A aliança de nossas visões com nossas ações faz a diferença...
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