O território primitivo foi habitado há muitos séculos e milênios. Os grupos
pré-históricos mais importantes remontam ao período glacial, aproximadamente há 11.000
ou 12.000 anos atrás. Acredita-se que tenham chegado do norte, através do estreito de
Behring, pela América do Norte, central e do Sul. Em outros estados como São Paulo e
Minas Gerais os grupos existentes foram contemporâneos dos nossos. Por sua vez na
Argentina são registrados grupos mais antigos.
Essa migração demorou milênios e hoje se conhecem restos em várias regiões do Estado.
Com o quinto milênio a. C. o povoamento tornou-se mais denso e a partir de então
surgiram povos indígenas habitando cavernas e grutas na região do Planalto. Essas
populações caçavam porcos do mato, antas, veados e outros animais, além de se ocuparem
da pesca. São grupos do movimento colonizador dos caçadores holocênicos, também
encontrados nos demais estados do sul do Brasil, no Uruguai e Argentina.
Nas regiões mais frias do Planalto, por debaixo dos matos de pinheiros, aprendem a cavar
casas subterrâneas para se defenderem das baixas temperaturas e a desidratar o pinhão
para se alimentar nas estações de poucos recursos. Essas populações a partir do
século II d. C. expandem-se por cima dos terrenos altos, para o norte.
Somente no século V de nossa era é que aparece no Jacuí pela primeira vez um indígena
agricultor.
Os utensílios encontrados são de formas variadas. Não se encontra praticamente a pedra
lascada, por não existir no Brasil o tipo de pedra que se prestasse a isso. Os raros
objetos de pedra lascada são pontas de flechas. Bastante mais comuns são as bolas de
arremesso, esferóides ou ovais, de porfírio, apelidadas de "bolas de Charrua",
eram usadas ao sistema de boleadeiras em cordas de tucum.
Os produtos de cerâmica pré-histórica são urnas mais ou menos grossas, rudemente
queimadas e de paredes lisas ou ornamentadas com figuras lineares, Eram quase sempre
utilizadas para sepultar os mortos ou posteriormente guardar seus ossos.
Também são encontrados os machados polidos e a mão-de-pilão.
Sucedendo a essas civilizações mais primitivas, em torno do ano 1.000 de nossa era
surgiu a civilização tupí-guaraní. Os primeiros chegaram em torno do século V,
penetrando pelo norte do Estado, atravessando o Uruguai. O seu centro de dispersão se
encontrava no alto Paraná. Não eram muito numerosos. Suas aldeias eram poucas, mas
grandes, com várias e enormes casas comunais, onde moravam famílias aparentadas.
Nesta primeira migração a ocupação foi limitada, se restringindo às várzeas férteis
dos rios maiores, já que eram agricultores, como o Uruguai e o Jacuí.
Foram seguidos pior uma segunda vaga, séculos após, que penetrou pelo território
costeiro, deslocando-se pelos cursos de água. Parte deles subiram pelo Jacuí até suas
nascentes, estabelecendo aldeias junto às suas margens, como tinham feito seus
antecessores.
Deslocando-se pelos afluentes do Jacuí, subiram o Planalto atingindo no máximo os 700 m,
sobre o nível do mar.
Á medida que se espalhavam empobreciam, diminuindo o tamanho de suas casas e de seus
objetos, já que o meio não era tão propício ao seu tipo de vida.
Os Gê, que eram os grupos anteriores existentes na nossa região, e que habitavam casas
subterrâneas, devido ao frio do inverno, foram aos poucos se extinguindo, ao serem
cercados pelos guaranis.
Aos poucos, os Gê foram se retirando para regiões cada vez mais altas e os Guaranis
foram conquistando o seu espaço em lutas esparsas, já que não eram uma nação e não
reconheciam como chefe ninguém que não fosse de seu próprio grupo.
Finalmente houve uma assimilação da cultura guarani pelos outros grupos que se
integraram, Um exemplo é a integração do grupo Tape.
Chegava então uma nova era. A preponderância dos Guaranis na região do planalto fariam
com que na chegada do homem branco se tivesse um aspecto muito típico e interessante.
Eram índios de estatura mediana, bem proporcionados, rosto largo, maçãs salientes,
olhos pequenos e pretos, erguidos no canto exterior, expressão um tanto melancólica.
Suportavam a fadiga, doença e morte sem lágrimas ou gemidos. Usavam amuletos de certas
pedras e o homem no lábio inferior usava o "tembetá", em um orifício ali
feito. Enfeitavam-se com penas nos braços, pernas e cabeça.
Durante o verão andavam quase nus, mas no inverno cobriam-se com peles de animais e
tecidos de fibra de um tipo de urtiga, à maneira de um poncho.
As mulheres usavam tatuagens no rosto.
As armas do Guaranis foram o arco, que media seis pés de comprimento, a flecha com ponta
de madeira e o tacape. Também usavam machados de pedra polida e facas de bambu.
As casas eram coletivas, quadrangulares, onde vivia um grupo de famílias. As aldeias eram
formadas por quatro a oito casas.
Tinham agricultura e criação e dedicavam-se à pesca, caça e coleta de frutos. Abriam
uma roça no mato, derrubando-o e a abandonavam após 5 ou 6 anos. Cultivavam milho,
batata, mandioca, amendoim, feijão, abóbora, cabaça, algodão e urucu.
Depois do contato com os brancos passaram a criar galinhas e patos, além dos papagaios.
Usavam o tabaco, que cultivavam, assim como a erva-mate.
Conseguiram bebidas alcoólicas fermentando o milho, a mandioca e os frutos silvestres.
Faziam vasilhames de cerâmica, para cozinha, urnas funerárias e cachimbos.
Foram grandes navegadores, movimentando-se pelos rios Paraná e Uruguai em canoas feitas a
fogo em toras.
Eram polígamos e também praticavam a antropofagia ritual.
Em casos de interesse comum as diversas comunidades se uniam sob um cacique eleito. O
cacicado era hereditário.
Tinham instrumentos musicais, como flautas, chocalhos e tambores.
A sua mitologia era extensa e variada. O curandeirismo era exercido por um pajé, que
acreditava ter poderes sobrenaturais.
Na época das Missões jesuíticas o território Guarani ia até o Rio Uruguai-Pitã,
Uruguai Vermelho, o nosso Rio da Várzea de hoje.
Além do Uruguai-pitã, divisor físico e cultural, existiam outros grupos indígenas, que
tornavam a penetração dos missionários difícil. Cita-se como fato pitoresco a crença
do Guaranis de que os índios do lado oposto do Rio da Várzea tinham dois calcanhares em
cada pé, tornando-se impossível saber pelo rasto deixado o lado para qual iam.
Explica-se o fato pelo costume de alguns andarem de costas para confundir o inimigo que os
perseguisse.
Posteriormente. já em época mais próxima, talvez no século XVIII após a derrota das
Missões e a retirada completa e quase desaparecimento do Guarani, começaram a
infiltrar-se pelo norte do Estado, atravessando o Uruguai, os descendentes dos Guaianás,
ou coroados, que na atualidade são chamados de Kaingang. Sobre eles não mais se exerceu
a influência jesuítica e foram os mesmos que retardaram e criaram problemas à fixação
do homem civilizado procedente de São Paulo e Paraná no início do século XIX.
São descendentes do grupo Gê que ainda se encontrava em São Paulo no século XVI.
Alguns autores referem que a sua migração para o sul foi forçada pelos portugueses, aos
quais inicialmente não combatiam. Cortavam o cabelo à maneira de uma coroa, o que lhes
valeu o nome de coroados.
Foram avistados por missionários junto ao rio Uruguai, nos fins do século XVII. Falavam
língua totalmente diferente dos Guaranis.
Os homens, nas tribos Guaianás, andavam nus, ao contrário das mulheres que vestiam
túnicas até os pés, deixando descobertos os braços. Não eram antropófagos e não
tinham vestígios de religião.
O início da colonização do território no princípio do século XIX levou a uma grande
reação de hostilidade por parte dos indígenas. Os encontros muitas vezes levavam a
grande mortandade em ambas as partes.
Ao contrário dos Guaranis, os Kaingangs praticamente não se miscigenaram ao branco, e
aos poucos a sua cultura foi desaparecendo, restando os poucos toldos indígenas no norte
do Estado.
Essas foram as culturas que nos precederam. Milênios de sedimentação de culturas, que
praticamente desapareceram com a entrada do homem branco, inicialmente em 1631 e após no
início do século XIX.
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