Do Caapi ao Carazinho



XI - As colônias novas



O período descrito por Jean Roche, no seu "A colonização alemã e o Rio Grande do Sul", como da "enxamagem dos pioneiros", teria grande influência no futuro de nossa região, especificamente no de Carazinho.

Nas colônias velhas, área ocupada por imigrantes alemães e seus descendentes a partir de 1824, assim como nas antigas colônias italianas, começou a surgir no fim do século XIX um problema muito sério e que obrigaria a providências importantes.

O crescimento da população e o esgotamento das terras forçara a migração para zonas onde esses problemas não existissem.

Como eram essencialmente agricultores, nada lhes restava do que continuar nessa trilha procurando um novo torrão. Essa migração se fez em direção às colônias novas, que se formariam entre os anos de 1890 e 1914.

Após uma tentativa frustrada de estabelecimento na região das missões com a formação de São João das Missões em 1824, próximo a São Luiz e Santo Ângelo, não existiram novas tentativas até o fim do século.

Surgiram então os novos pioneiros. Seriam fixados em lotes estabelecidos pelo Governo ou por particulares. Nestas últimas estariam incluídas aquelas em território de Carazinho. Seriam eles pessoas provenientes das colônias velhas e também imigrantes, em porcentagem quase igual.

As novas colônias no território que seria o do município de Carazinho antes do desmembramento que seria efetuado mais tarde foram: 1895; Saldanha Marinho, (por Castro, Silva & Cia); Barra do Colorado em 1897, (Companhia de Colonização); 1897: Alto Jacuí, (Schmitt & Cia.); 1906: Coronel Selbach, (Selbach); 1912: Dona Júlia e Timbauva, (Vargas); 1915: Tamandaré, (Matte, Vargas e Meira); 1915: tesouras, (Matte Vargas e Meira).

Todas de grande importância, porém a de Alto Jacuí, pelo número de imigrantes alcançado e pela área atingida, seria a que teria mais influência no município.

Apresentavam todas características comuns, porém algumas delas tinham preponderância de migrantes de uma ou outra região. Inclusive quanto á nacionalidade, pois nas colônias novas, até 1914 (início da Grande Guerra), eram 50% de brasileiros nascidos nas colônias velhas.

Em 1897 o Coronel Gervásio Lucas Annes, líder político em Passo Fundo, adquiriu do Governo Federal grande área de terra situada na região denominada Alto Jacuí, abrangendo território hoje ocupado pelos municípios de Tapera e Não Me Toque.

Convidou para sócio Alberto Schmitt, também morador de Passo Fundo, que seria o encarregado da colonização.

Partindo de Passo Fundo, pela picada que demandava Soledade via Não-Me-Toque (nome este já citado em 1893 por Ângelo Dourado no seu livro Voluntários do Martírio), com homens e bagagens, além da aparelhagem necessária para a medição a ser efetuada, fixou-se em um desmatado, no local onde hoje se encontra a cidade de Tapera, mais precisamente no local do Curtume Mombelli.

Ali já residiam algumas pessoas: Guilherme e Germano Krössin e Fabrício Boron, o qual possuía uma pequena venda.

Instalou então Schmitt uma armazém de víveres e coisas necessárias aos trabalhadores.

Foram medidos e demarcados 674 lotes com área superficial de 329.634.394 metros quadrados. Eram, em geral, porções de terra com 200 metros por 2.000 metros.

Feito esse trabalho inicial, passou-se à fase de propaganda. Começou Schmitt a escrever cartas aos conhecidos nas antigas colônias. Várias vezes viajou a São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Santa Cruz do Sul e Garibaldi.

Não tardaram a começar chegar os primeiros colonos. Foram eles, por ordem de chegada:

1897: Germano Krössin e seu filho Guilherme, já citados anteriormente, que já estavam na terra.

1900: Augusto Krössin

1901: Carlos Krössin

1902: Irmãos Morgenstern - Felipe, Guilherme, Carlos, Pedro e Jacó. Localizaram-se entre Tapera e lagoa dos Três cantos, tomando o lugar o nome de Linha Cinco Irmãos.

1903: Henrique Weber, Jacó Karster, Adão Petry, Luiz Petry, José Pellens e Paulo Roething.

1904 a 1908: José Koheler, Conrado Soder, famílias Rohe, Ross, Sefrin e Sauer.

1910 a 1915: Augusto Koheler, Mathias Vogel, Henrique e Carlos Fang, Francisco Schenkel, Luiz Klein, João, Reinaldo, Leopoldo e José Bervian, Pedro Würzius, Vva. Catarina Simon, Humberto Lampert, Frederico Orth, Jorge Haeck, Felipe Haupenthal, Guilherme Frederico Rauber, Luís Grhal, Guilherme Floss, Leopoldo Neiss, Pedro Koch e seu filho Pedro Fridolino Koch.

Nos anos seguintes sucederam-se muitos outros imigrantes que se juntariam aqueles que já formavam uma nova geração.

Porém não só de alemães foi feita a colonização. Em menor número os italianos e descendentes também vieram ao Alto Jacuí.

Tendo chegado a Passo Fundo José Baggio, procedente de Nova Palma, após ter viuvado e procurando iniciar uma nova vida, contatou com o Coronel Gervásio Annes, o qual o convidou para trabalhar no Alto Jacuí.
Iniciou trabalho semelhante ao de Schmitt, porém na sua área, de colonização italiana.

Foram os primeiros imigrantes italianos:

1897: Fabrício Boron e José Baggio.

1898: Gerônimo, Sebastião, Antônio e José Viero; José Sarturi; Marcos Gatto e seus filhos Bortolo, Raimundo, Romano e João; Francisco Bragagnolo e seus filhos Maximiliano, Domingos e João; e Severino Salvadori.

1899: Albino Corazza, Luiz Bonato e Anibal Trevisan.

1900: José Rigon e seus filhos Giacomo e Fiorindo; Severiano Manfrin, José Nodari.

1901: Ancângelo Baggio

1902: Achiles Rizzi

1903: Antônio Batistella e seus filhos José, Valentim e Fiorindo; Luiz e Abel Dossa; Ernesto Danielli e seu filho Eugênio.

1904: Valentim Salvadori; Vicente Dossa e seu filho Antônio; Francisco Bortolini; José Piovesan; José Dallanora e seus filhos Carlos, Affonso, Domingos e José.

E assim por diante, a cada ano uma leva de homens dispostos a empreender uma nova vida nas colônias novas.

Houve continuidade nesse movimento até aproximadamente 1925.

Localizada quase toda em área de mato, tornou-se mais tarde área de grande riqueza pelos pinheirais existentes.

Dessas colônias muitas pessoas passaram para Carazinho, atraídas pela cidade maior e com mais recursos, a partir de 1920. Juntando-se aos alemães e seus descendentes que vieram diretamente das colônias velhas, formaram um contingente de trabalho muito importante para o município que se formaria em 1931.