"Cará. (Do tupi Ka'rá) S m. Bras. 1. V. Acará. 2. Bras. Designação comum a
várias espécies da família das discoráceas, providas de tubérculos alimentares, e de
que algumas são ornamentais; carananbu, caratinga. 3. Bras. Inhame-da-China. 4. Bras.,
RS. Modalidade de fandango". (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Novo Dicionário
da Língua Portuguesa, pág. 277).
As versões existentes da origem do nome "Carazinho" vão desde o pitoresco até
outras muito plausíveis.
A mais comum delas e a que sempre ouvimos é a referente ao diminutivo do nome
"Cará", que seria um pequeno peixe arredondado e chato existente na região. Na
realidade Cará, como peixe, seria derivado de "Acará" ou um sinônimo deste.
Outra afirmativa que era originário de uma taquara, também chamada "Cará" ou
"Carafá", que crescia às margens dos arroios.
Tanto uma como a outra ligavam o nascimento e a origem ao arroio Carazinho, pequeno riacho
cujo passo era aproveitado pelos tropeiros para a passagem do gado.
Mais recentemente encontramos um relato muito curioso:
Ás margens do Arroio teria havido uma morada, a uma certa distância do caminho utilizado
pelos tropeiros, e o seu proprietário, no afã de auxiliar os que passavam, chamava-os
com o grito:
-Cá é rasinho!
Uma publicação, de autor desconhecido, descreve a expressão indígena "Caraci
Nhu", que deveria ser traduzida como "Riacho curto e barrento".
Segundo Romário Martins, em seu estudo "Vozes indígenas na toponímia do
Paraná" (Boletim nº 11 do Inst. Histórico e Geográfico do Paraná, dezembro de
1940) fala a respeito de um Carazinho, povoado que existia no Paraná: de
"Cará", redondo, circular, acrescido do diminutivo português
"zinho".
Como exemplo de que "cará" pode ser redondo, o mesmo autor cita
"Carambei" - ou seja buraco redondo com água, isto é: poço.
Montoya afirma: Carambui coisa pequena e bem feita, arredondada, e mais: "Abá
carambui" - de abá, homem e 'carambui", pequeno e arredondado, ou seja, homem
gordo e pequeno, retaco.
Em Stradelli encontramos, para o Amazonas, a palavra "cará" significando certas
raízes comestíveis da Dioscorea, e certas fibras como o Caraguatá, além da
denominação de uma pequena ave e que pousada parece redonda: o gaviãozinho
"caracará".
Entre todas essas versões Walter Spalding opta pela que afirma ser "Carazinho"
uma pequena clareira redonda no mato. Com toda sua autoridade no assunto, Spalding cita
que a sede da redução de Santa Tereza era um "cará", isto é uma clareira
aberta nos densos pinheirais. Chama a redução de granja e diz que no "Cará"
residia uma parte da população, formando a sede. Os demais habitantes viviam pelos
matos, em "ocas" especiais, cuidando das plantações.
Esses cuidados eram necessários para evitar que fossem destruídos pelos animais
selvagens, sobretudo a capivara, abundante então no arroio do "Cará" - o
Caraí-Mirim, hoje arroio Carazinho.
Parcialmente certa, tem essa versão contra si alguns erros. A Redução de Santa Tereza
não foi situada às margens do arroio Carazinho, como discutimos em outro capítulo. Se
fosse referente à Redução de São Carlos, essa sim mais próxima, o arroio mais
próximo era o Jacuí-mirim, o Jacuizinho, e não o arroio Carazinho.
Achamos bastante aceitável quanto à parte etimológica, já que agrega fatos realmente
acontecidos a raízes da língua indígena e portuguesa.
Portanto, sendo do peixe, da taquara, ou raiz, mesmo sendo de clareira, "Cará"
seria derivado do indígena significando "redondo", acrescido do diminutivo
"zinho". Numa tradução literal teríamos: "redondinho".
Também devemos assinalar aqui os nomes primitivos da região para que se tenha uma idéia
na leitura, da sucessão que existiu.
De "Caapi", ou seja "caminho do mato" ou "caminho para o
mato", na língua primitiva, até o Carazinho tivemos algumas denominações
interessantes.
A primeira, do século passado: Jacuhyzinho. Referia-se ao arroio Jacuhyzinho, ou
Jacuí-mirim, Ás margens do qual instalou-se a primeira estância, chamada de São
Benedito, de propriedade do Alferes Rodrigo Felix Martins. Esse nome persistiu por muitos
anos, até que o povoado começos a surgir às margens do arroio Carazinho.
Com a emancipação de Passo Fundo, em 1857, o 4º distrito do mesmo levou o nome de
Jacuhyzinho.
Posteriormente esse distrito foi dividido em 3 seções, sendo a primeira denominada
Carasinho.
Encontramos a grafia Carahasinho, em Wenceslau Escobar.
Conhecida de poucas pessoas, outra denominação, não oficializada por ter sida em época
de Revolução, foi a de Assisópolis. Em 1923, nos dias que precederam o início dos
combates revolucionários, o comando a cargo do General Menna Barreto, Salustiano de
Pádua e outros modificou o nome, adotando uma homenagem a Assis Brasil. Durou pouco,
ficando esquecido logo após.
A última modificação havida, ou as últimas, o foram por motivos ditos ortográficos.
Chegou-se à conclusão de que um diminutivo não poderia ser grafado com "s", e
de Carasinho passou-se a Caràzinho, e atualmente Carazinho, sem o acento grave.
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