O Amanhã
Rosistela de Arruda
A cigana leu o meu destino
Eu sonhei bola de cristal
Jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã
Como vai ser o meu destino
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como
Deus quiser
(Compositor: João Sérgio)
Andamos as voltas com mais um início de ano, afinal 2005 chegou, já é março, e, com o
novo ano muitas previsões, expectativas e sonhos. Escutando essa música fiquei pensando
na letra do autor que retrata uma questão importante de nossa vida: o enigma do futuro.
Na verdade, o amanhã, não sabemos como será, o que nos acontecerá, o que será de
nossas vidas. É verdade: só "Deus sabe", ou ninguém sabe.
Porém, esta é uma parte, mas existe outra parte do amanhã que não está nas mãos de
ninguém, a não ser de nós mesmos. É duro olhar e admitir isso. Falo da parte que cabe
a nós fazer, trabalhar, dia após dia, na construção de nossa vida, de nosso destino.
Uma parte cabe a nós traçá-la e depende totalmente de nós, de nossos investimentos.
Outra parte não, falo de fatalidades, dificuldades que todos nós passamos e não sejamos
onipotentes, não damos conta de tudo, não temos como controlar tudo. Também não somos
mágicos: não temos como prever magicamente o que poderá nos acontecer.
Então podemos dizer que uma parte pertence a Deus e outra ao homem, ao senhor de si
mesmo: nosso inconsciente. Transformar um destino pode parecer simples, mas não o é. É
complexo, exige trabalho psíquico. Portanto, se faz necessário se inteirar dos recursos
internos que possuímos com a ajuda de uma análise para poder modificar esse destino e
não simplesmente colocar nas mãos dos outros.
Renato Mezan, em entrevista a revista Veja, do dia 05-01-05 coloca que "existe hoje
uma perigosa tendência a evitar a responsabilidade individual, o que coloca em risco um
dos valores que herdamos do iluminismo: a autonomia. Prossegue que o trabalho terapêutico
envolve a exigência ética de que a pessoa se responsabilize pelo que faz consigo mesma e
com os que a circundam, que ela perceba como, à sua revelia, colabora para criar em volta
de si o inferno de que se queixa. Nesse sentido, a psicanálise visa a uma desalienaçao
do indivíduo, a uma libertação das amarras inconscientes que o sujeitam a traumas
passados... A psicanálise tem como valor ético à autonomia e a emancipação dos
entraves inconscientes que bloqueiam nosso desenvolvimento e inibem nossa
capacidade".
Publicado em 15/03/2005
Rosistela de Arruda
- Psicóloga
Passo Fundo - RS
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