OS CONTOS DE FADAS E SEUS ENIGMAS:
Histórias para contadores
Fabíola Giacomini De
Carli
Por que os contos de fadas encantam tanto as crianças, a ponto de solicitarem
insistentemente que as contemos repetidamente, por diversas e diversas vezes? Histórias
tão antigas como Chapeuzinho Vermelho, Pinóquio, O Patinho Feio,... atravessaram
séculos com seus enigmas e continuam atuais, repercutindo nas crianças ao longo de
várias gerações.
O mundo fascinante dos contos de fadas faz com que a criança elabore suas teorias a
respeito da vida e da sexualidade, pois aguça sua capacidade de pensar. As histórias
ajudam, também, na elaboração de medos e angústias e produzem um efeito altamente
benéfico para o mundo interno da criança: a aproximação afetiva entre o contador e o
ouvinte.
Em especial, os contos despertam emoções, pois de forma lúdica, tratam de angústias
existenciais: a necessidade de ser amado, tal como no Patinho Feio, a rivalidade e a
competição com a mãe, tal como na Branca de Neve, abandono e solidão como no João e
Maria, os caminhos e descaminhos no processo de humanização, como no Pinóquio, a menina
desafiadora que se defronta com o mundo, tal como na Chapeuzinho Vermelho, e assim por
diante. Cada conto dá prioridade a um tema diferente, tocando a criança de um jeito
único, de acordo com o momento evolutivo de seu psiquismo.
Dada a importância do contato da criança com esse mundo de histórias e fantasias, o
PROJETO Associação Científica de Psicanálise, através da Biblioteca do
Projeto, realiza anualmente um encontro para debater as obras clássicas e modernas da
literatura infantil: o TE CONTO UM CONTO. Integrando a literatura e a psicanálise,
pretende-se discutir e aprofundar o entendimento das histórias infantis, debatendo o
valor literário, o significado simbólico e o impacto cultural das fábulas e promovendo
um debate entre o público participante.
Embora o evento inicie com a contação da história, que é diferente da dramatização,
não é destinado para crianças, mas para aqueles que contam as histórias para os
pequenos.
Nossa proposta é pensar não somente nas linhas do que aparece num conto, mas no que
está nas entrelinhas, naquilo que não é dito, mas que diz respeito a subjetividade do
sujeito, ao encantamento que lhe causa, para onde lhe reporta, por que quer repetir,
repetir e repetir uma mesma história.
A BELA E A FERA é a história escolhida para o próximo Te Conto
um Conto, que será debatida pela Psicanalista Claudia Concolatto e pela
Doutoranda em Literatura Nara Rubert. Estão todos convidados, dia 27 de
setembro, no Teatro Múcio de Castro, em Passo Fundo, às 19h 30min.
Publicado em 14/09/2007
Fabíola Giacomini -
Psicóloga
Projeto - Associação Científica de
Psicanálise - Passo Fundo - RS
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