Vestibular para pais
Era uma vez uma criança pequena que preparava-se para seu primeiro dia na escola e que,
de mochilinha pronta com um lanche nutritivo e depois de muitas conversas sobre este dia,
sai na companhia de sua mãe rumo à nova experiência...
Muitos pais já passaram por isso, seja com seu pequeno bebê no primeiro dia do
berçário ou com seu filho maiorzinho entrando no jardim de infância, não importa sua
idade: esse é sempre um momento de ansiedades e separação. Se de um lado o momento é
esperado com alegria porque representa que seu pequeno filho vai ampliar suas relações e
ter contato com um mundo de novas interações, do outro lado é preciso admitir, não sem
dor, que não se é o único capaz de transmitir-lhe ensinamentos, de participar de suas
descobertas e de desfrutar de seus afetos e idealizações, afinal as crianças pequenas
costumam amar verdadeiramente seus professores.
Passado o susto inicial e a frustração de ver que não ficou preso na sua mão, mas que
ao contrário disse "tchau pai, tchau mãe, até depois", lá vão os pais
enfrentar com seus filhos anos de vida escolar, onde os verão apreender a escrever, fazer
contas, criar textos, desenvolver experiências. E o tempo vai passando e quem tem filhos
sabe que passa muito depressa.
Alguns anos, amigos, decepções, alegrias, namorados (as) e professores depois, eles
concluem o ensino médio. Agora estão crescidos, irreverentes, se já eram independentes
naquele primeiro dia de aula, imaginem como estão depois de tudo isso? Prontos. Estão
prontos para ir mais uma vez ao mundo e agora apreenderem a ser adultos. Será? Estão
sim, isso é apenas dúvida de pai e mãe que acham que eles nunca estão prontos! Vamos
com calma. Não se trata apenas de dúvidas de pais protetores, nem tão pouco de filhos
despreparados. Estamos, sim, diante de adolescentes que, ao terem vencido as primeiras e
fundamentais experiências escolares, estão diante de mais um desafio, o vestibular, e
mais uma vez é hora dos pais entrarem em ação. Não para cobrí-los de cuidados ou para
dizer-lhes o que devem fazer, senão para que possam, com sua função de pai e de mãe,
apoiar e compreender as ansiedades, as noites mal dormidas e as dúvidas que costumam ser
muitas. Quanto mais o vestibular se aproxima, mais os pais precisam segurar a sua própria
ansiedade, pois é verdade que todos querem a aprovação. Cabe aos pais tranqüilizar o
jovem vestibulando, ajudá-lo a se alimentar bem naqueles dias, a regular que o estudo
não seja nem muito pouco, nem excessivo, e estarem sempre dispostos a ouvir o que passa
por aquela cabeça cheia de fórmulas e de teorias.
Sempre vai depender muito da relação que os pais possuem com seus filhos, a forma como
vão poder facilitar ou dificultar este momento tão importante. Se a relação é
adequada e saudável, provavelmente o filho vai aceitar e entender a participação dos
pais como um ato de cuidado e de amor. Vale a pena demonstrar que se está preocupado em
primeiro lugar com sua felicidade e realização, que não está em jogo a avaliação de
sua capacidade mas de seus conhecimentos, e que sempre é possível tentar novamente. Agir
com respeito e atenção é sempre útil neste momento. Se o filho está longe ou se por
qualquer motivo não é possível acompanhá-lo, sempre há como certificar-se que ele
está bem, através de um telefonema ou de alguém próximo que substitui os pais naquele
momento. O essencial a todos os vestibulandos é poder sentir verdadeiramente que não
estão sós e que aquele mesmo pai e mãe, que o levou para o primeiro dia de aula com o
coração ao mesmo tempo alegre e apertado, segue ao seu lado sempre da mesma forma com o
coração alegre e apertado, na expectativa de que seu filho possa saber do mundo e que o
mundo possa saber dele e reconhecer seu valor.
Publicado em 28/01/2007
E-Mail:
projeto@annexl.com.br
|