
ARTUR DE CARVALHO
Escritor, jornalista, publicitário, cartunista, ilustrador, colabora com o Diário de
Votuporanga, interior de São Paulo, desde 1997. É autor dos livros "O Incrível
Homem de Quatro Olhos", e "Pah!", Vialettera Editora, 2003.
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SOBRE O ESCRITOR
"Da felicidade dele em descobrir sua verdadeira
vocação, vem a nossa, de descobrir seus textos leves, suas observações reluzentes, seu
humor doído de tão humano. E assim, sem podermos ter as múltiplas faces que o autor
colecionou pela vida, somos brindados pela doce viagem de sermos sócios delas, e
entrarmos em sua casa, sua família, sua Votuporanga, que poderia ser Porto Alegre, São
Paulo ou Nova Iorque." (Custódio)
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Sobre livros e defuntos
Desculpa aí a propaganda, mas saiu um
novo livro meu. E dessa vez a coisa é oficial, com editora, distribuição nacional e
tudo o mais. Modéstia à parte, ele já chegou em livrarias de Salvador, Fortaleza, Rio
de Janeiro, São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto. Um monte de lugar. Tem até na
Livraria Saraiva, umas das maiores do Brasil. Entrei no site deles na internet, só
pra conferir. E lá estava ele: Pah!, de Artur de Carvalho. Cheguei a ficar
com lágrimas nos olhos. De verdade. Porque um livro, como todo santo escritor diz assim
que coloca uma nova publicação na praça, é que nem um filho da gente. E quando ele sai
assim, pro mundo, dá uma coisa que nem dá pra explicar direito, de tão boa.

Mas, como tudo nessa vida, tem gente que não gostou.
- O que é esse sujeito morto aí?
- Morto? Que morto?
- Esse defunto aí, na capa?
- Mais respeito, rapaz. Esse defunto é uma ilustração de Orlando Pedroso,
um dos maiores ilustradores desse país. Só para sua informação, o cara desenha para a
Folha de S.Paulo, para a revista Veja e para mais um monte de
coisa. O maior orgulho o cara fazer a capa do meu livro.
- Olha, por mim ele pode ser ilustrador até da Bíblia. Mas não fica bem colocar um
defunto bem na capa de um livro.
- E por que não?
- Porque um defunto é... é um defunto, pombas! Maior baixo astral!
- E o que é que tem isso?
- Tem que um cara de baixo astral não compra livros.
- É claro que compra. Olha só a capa dos livros que têm por aí.
- Não me lembro de uma que tivesse um defunto.
- É claro que tem.
- Então fala aí, um.
- Hum... Sei lá, mas deve ter.
- Pois não tem.
- Mas não é possível que o meu seja o primeiro livro a ter um defunto na capa...
- Primeiro e último. Porque ninguém vai ser tão besta que nem você.
- Mas você entende que o defunto está dentro de um contexto?
- Contexto nada. Que eu esteja vendo, ele está é dentro de um caixão.
- Você não está entendendo nada. Olha a frase inteira. E quando você menos
espera... PAH!. Eu estou me referindo à precariedade da vida. À transitoriedade.
Entende?
- Entendo. Entendo que tem um caixão de defunto na capa do seu livro. E eu não vou
comprar um livro com um cara morto na capa.
- Me dá aqui o meu livro!
RASG RASG RASG
- Mas... o que é que você está fazendo, Artur?
- Tirando a capa do livro, oras. Pronto. E agora? Você compra? Hã? Hã?
*
* *
Bem, se você quiser adquirir o
primeiro e provavelmente único livro do mundo que tem um defunto na capa, pode entrar
nestes site e adquirir o "Pah!".
Site da editora: http://www.vialettera.com.br/
Site do escritor: http://www.votuporanga.com.br/artur
Publicada em 29/09/2003
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