Inclusão Escolar
Andréia Roos
"A abertura de uma escola para a vida, de uma escola que não esteja prisioneira
de uma norma senão que respeite o ritmo de cada qual: isto é o que se necessita para
todas as crianças, mas especialmente para os "quebrados" pela normatização de
que foram objetos." MAUD MANNONI
Falar de inclusão é entrar em um terreno complexo onde não existem abordagens simples.
É fazer um extenso percorrido que nos leva a transitar por caminhos amplamente discutido
nos dias atuais.
Para falar de inclusão, primeiramente devemos situar que a escola inclusiva é aquela que
se prepara principalmente para atender a todos os membros da comunidade a que pertence,
mais além das necessidades especiais que possam ter, ou seja, se refere a instituições
que se organizam para atender a diversidade, logo, o diferente.
É fundamental assinalar que geralmente o diferente é representado como aquilo que é
difícil de lidar, com o desconhecido ou também com portadores de necessidades especiais,
e isso é percebido não só na escola, mas também em nosso cotidiano. Percebe-se uma
intolerância a quem tem uma cultura diferente, a quem tem outra religião, outra opção
política, a quem fala de outro modo, a quem tem outro ritmo de aprendizagem.
Parece que nesse sentido a inclusão excede o conceito de discapacidade ou da
deficiência. Dificuldades, limitações, deficiências existem em todos os seres humanos
embora de formas diferentes.
Cabe salientar que a inclusão de portadores de necessidades especiais também tem que ser
pensada desde uma perspectiva do ser humano enquanto sujeito psíquico e nesse sentido,
todas as crianças independentemente da origem de suas necessidades especiais tem o
direito a participar de uma escola regular, porém não é obrigatório. Uma escola que
queira ser uma escola inclusiva deve se preparar para receber crianças com necessidades
especiais. Parece importante considerar a singularidade do aluno como também a
adequação mútua entre ele e a proposta educativa a ser oferecida. Quando se fala em
singularidade, pensamos que nem todas as crianças com necessidades educacionais especiais
poderão freqüentar uma escola regular, e aquelas que podem muitas vezes as pessoas
desconhecem o trabalho prévio e concomitante que é feito para que isso aconteça. Isso
se torna fundamental, pois não basta estar junto para estar incluído, estar junto não
garante nada.
Também me parece central nessa questão pensar na disponibilidade que habita cada
professor ao se deparar com as limitações, quero dizer, não só do aluno que está a
sua frente, mas também a sua frente a esse outro que faz perceber que também o professor
pode estar em dificuldade para ajuda-lo. Assim, muitas vezes os professores percorrem um
caminho com muito medo, angústia e desconhecimento sobre o tema e esses sentimentos
muitas vezes são vividos como impotência, porém, existe a possibilidade de superar
essas etapas de medo, rechaço e então perceber que esse aluno é um ser humano que pode
ser respeitado e trabalhado desde as suas possibilidades.
É nesse sentido que acredito que o grande desafio não é discutir se devemos ou não
incluir no ensino regular os alunos com necessidades educativas especiais, mas em como
fazer para que o professor possa se sentir mais preparado, menos ameaçado para poder
pensar nesse tema, pois parece que a dificuldade emerge mais frente ao diferente do que as
necessidades especiais.
Andréia Roos - Psicóloga
Projeto - Associação Científica de
Psicanálise - Passo Fundo - RS
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